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segunda-feira, 28 de maio de 2012

O que é psicologia existencialista?


Por Juliana Alves Santiago
Psicóloga

Este texto se fundamenta na tese de doutorado da psicóloga Dra. Daniela Schneider que apresenta novas perspectivas para a psicologia clínica a partir das contribuições de Sartre.

A Psicologia Existencialista é um método terapêutico desenvolvido por Jean Paul Sartre (1905-1980) e intelectuais que o sucederam como Laing, Cooper, Van Den Berg e Thomas Szazs. Vários são os livros de Sartre que elucidam a Psicologia existencialista: A Imaginação (Sartre,1936), A Transcendência do Ego (1937), Esboço de uma teoria das Emoções (1939), O Imaginário (1940), O Ser e o Nada (1943) e Crítica da Razão Dialética (1960). E através das biografias Baudelaire (1947), Saint Genet: autor mártir (1952), e O Idiota da Família: Gustave Flaubert, de 1821 a 1857 (971). Sartre aprofundou as possibilidades metodológicas de se conhecer concretamente a personalidade e as emoções, a partir de uma psicologia que se baseia na fenomenologia e na antropologia.

Em todas estas obras Sartre busca demonstrar as constatações feitas sobre a realidade humana, tais como de que o homem é aquele que faz e é feito pela história, constituindo seu projeto e desejo de ser, e que o homem é um ser no mundo, um ser temporal e histórico. Ou seja, Sartre constatou que a personalidade é resultante de um processo de construção dialética entre o sujeito, os outros e a materialidade de tal forma que a “existência precede a essência”.

A Psicologia Existencialista Sartreana considera a personalidade como a síntese dialética da relação entre o sujeito concreto e a materialidade, entre o indivíduo e a sociedade. A materialidade se define como a época histórica em que o sujeito vive, a classe social, a estrutura familiar, o local geográfico, ou seja, o sujeito vive em relação com os outros e as coisas num contexto material que possibilita um determinado clima antropológico.

O clima antropológico engloba desde a cultura, até o clima meteorológico, a biologia, a natureza, a diversidade material, as formas de relações de todos os dias, a economia, a política, a tecnologia, a religião, a filosofia, a ciência, a educação, a arte, a música, esporte, etc. Geralmente ela é confundida com a cultura, entretanto a cultura é uma fatia do contexto antropológico, assim como a economia (necessidade e escassez). A cultura são os costumes que resultam do clima antropológico, é por aonde o clima antropológico chega ao grupo sociológico familiar. O clima antropológico do Nordeste, por exemplo, é diferente do clima antropológico do Sul, e conseqüentemente a estrutura de escolha de ser do sujeito do Nordeste é diferente do sujeito do Sul. É a natureza levando o homem a um modo de viver e este modo de viver afetando o homem. A realidade antropológica gera conseqüências emocionais e possibilidades de se relacionar com a materialidade e com os outros, gerando, assim, um sistema de vida e a personalidade, a dinâmica de ser do sujeito.

Portanto, as condições de possibilidades de alguém se constituir sujeito estão nas suas relações concretas com suas redes de mediações inseridas no clima antropológico.

Desta forma, a Psicologia Existencialista se fundamenta no método progressivo regressivo que pressupõe que a verificação da realidade considere as situações singulares do sujeito inscritas no contexto universal, ao mesmo tempo em que considera o impacto das situações universais nas individualidades e grupos. Assim, compreende-se a psicopatologia a partir homem concreto, ou seja, a partir do núcleo da vida e da história concreta do sujeito, já que ela é uma perturbação psicofísica resultante do movimento do sujeito no mundo, na existência concreta do sujeito na relação com a materialidade e com os outros. Cada comportamento, gesto, emoção, estado, ação e pensamento do sujeito, implicam em um significado e um fim. Por isso, o objetivo da Psicologia Existencialista é decifrar o projeto e desejo de ser de cada indivíduo que define o que são e para onde se encaminham os diferentes movimentos de uma pessoa no mundo.

Tal objetivo é alcançado pela investigação dos fenômenos de sua vida de relações: episódios concretos constituídos por ocorrências materiais que se inter-relacionam. Isto porque o sujeito só pode ser compreendido levando em conta a sua história concreta que se dá por episódios, assim como levar em conta a sua conjuntura familiar e clima antropológico.

Todo acesso emocional é um conjunto articulados de ocorrências psicofísicas, empíricas características de um determinado padrão de psicopatologia: depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia ou psicose. Verificando as ocorrências, identificamos a psicopatologia do paciente. Para tanto, é preciso inventariar o episódio sócio-antropológico – data, lugar, contexto, atores, materialidade, ação, enredo - em que ocorre o acesso emocional, verificando o conjunto e a sucessão das ocorrências empíricas e sua articulação e função no sujeito. Não é possível verificar o acesso emocional sem verificar o episódio em que ele ocorre, pois o acesso emocional é um processo (início, evolução e extinção) desencadeado por algo material e objetivo, atual na realidade que arma uma atmosfera.

Desta forma, todo acesso emocional ocorre numa dada atmosfera, ou seja, num dado futuro real e virtual que se impõe ao sujeito, cujas afetações emocionais são desdobramentos. Isto porque o gatilho material atual tem correlação material com gatilho ou ocorrência passada impondo a certeza de ser do indivíduo num futuro real agradável ou não, conforme o desejo e projeto ser do sujeito. A apropriação de tal episódio, que é pré-reflexiva, desdobra da experiência de ser do sujeito, de quem ele se sabe sendo no plano da percepção da realidade concreta atual com a qual ele se relaciona. Esta apropriação, que é decisiva para a psicopatologia, acontece conforme a possibilidade do sujeito caber, pertencer ou não no grupo e rede familiar sendo quem é e fazendo o que faz. Assim, a complicação psicológica depende do episódio sócio-antropológico, do clima antropológico, do grupo familiar e da apropriação.

Então, através do inventário de episódios sócio-antropológicos em que ocorrem os acessos emocionais o psicólogo realiza uma radiografia psicológica do sujeito, na medida em que translucida o que está acontecendo com o paciente e as raízes de sua problemática psicológica, cumprindo a tarefa da psicologia.

Para Sartre, a tarefa da Psicologia é esclarecer as condições de possibilidades para o sujeito chegar a ser quem ele é, isto é, esclarecer como o sujeito constituiu sua personalidade, sustentada num projeto de ser específico, explanando como foi que ele se complicou psicologicamente. Deve-se, então, primeiramente, investigar as variáveis que delimitam e interferem no fenômeno para ele ser o que é, para num segundo momento investigar suas determinantes, especificando em sua história, clima antropológico e sociológico – rede de relações e de mediações de ser- as condições de possibilidade para sua personalização e psicopatologização.

Tal processo científico deve sempre se iniciar do momento atual para depois esclarecê-lo em sua gênese. Primeiro se demarca o fenômeno, definindo a sintomatologia, o quadro psicopatológico, enfim, o psicodiagnóstico que definirá os rumos da intervenção. O segundo momento se caracteriza pela elaboração da problemática ou equacionamento do teorema em torno das complicações do paciente, investigando-se as variáveis constituintes da dinâmica psicológica do paciente e de seus impasses psicológicos de tal forma que ele se saiba sendo este ser específico em seus sistemas de certezas de ser. É preciso salientar que a personalização se dá numa relação dialética entre a objetividade e subjetividade, num clima antropológico no interior do sociológico.

Desta forma, o processo psicoterapêutico é planejado, definindo quais são os aspectos essenciais a serem trabalhados em uma intervenção clínica, assim como o modo que será realizado tal procedimento, a fim de viabilizar o ser do paciente, cuja alienação é superada, possibilitando ao paciente se tornar o sujeito de sua própria história conforme o seu desejo e projeto de ser.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Anorexia


 A Anorexia é um transtorno alimentar onde ocorre a procura exagerada pela magreza fazendo com que a pessoa faça uso de estratégias rigorosas e perigosas, acarretando um emagrecimento intenso e preocupante. A pessoa demonstra pavor de engordar mesmo estando absurdamente magra e frágil.
Na maioria dos casos, ocorre em adolescentes do sexo feminino e adultas jovens, entre doze a vinte anos. É uma doença com riscos clínicos elevados, ocasionando desnutrição e desidratação podendo inclusive levar ao óbito. È importante salientar que a doença desencoraja a pessoa a comer, pois o fato de ingerir alimentos a faz sentir um enorme sentimento de culpa que o leva a ansiedade, stress, sensação de desprazer, melancolia e até mesmo depressão.
Para o surgimento da anorexia geralmente se apresenta vários fatores sociais e psicológicos. A cultura da magreza empreendida pela mídia contribui para o surgimento do quadro, principalmente em mulheres que buscam ter a beleza reconhecida e admirada e possuem um alto grau de cobrança pessoal e o pavor de gordura em qualquer quantidade nas sociedades principalmente ocidentais está intensamente associada à ocorrência desses quadros.
A apreensão com o peso induz a pessoa a começar uma dieta continuamente mais seletiva, evitando intensamente alimentos de alto teor calórico. Aparecem outras estratégias para perda de peso como exercícios físicos excessivos, indução de vômitos, dentre outros. Pessoas que passaram por eventos traumáticos, como rejeição familiar ou abuso sexual também possuem risco de desenvolverem a anorexia.
A pessoa continua pensando estar gorda, a despeito de estar extremamente magra, contando sempre as calorias dos alimentos ingeridos e de rituais em relação à comida, como regulação de horários e modos de comer. Afasta-se das pessoas queridas, fica melancólico, ou até mesmo depressivo, irritado e ansioso. Arduamente aceita auxílio. Há casos em que pessoas com anorexia podem não recebem tratamento psicológico e médico, até que tenham chegado emum grau de fraqueza e desnutrição absurdamente preocupante, quanto mais debilitada a pessoa se encontra, mais difícil e lenta é a sua recuperação.
O tratamento necessita de equipe multidisciplinar formada por psicólogo, médico e nutricionista, em função da complexa relação de questões emocionais e fisiológicas. Dependendo do grau em que a pessoa com anorexia se apresentar, o médico deve requerer hospitalização. O nutricionista vai trabalhar a questão da reeducação alimentar.
O tratamento é a recuperação do peso corporal através de uma reeducação alimentar com apoio psicológico.  A psicoterapia é fundamental uma vez que trabalha as causas psicológicas do surgimento e manutenção do transtorno alimentar, e se essas questões não forem suficientemente trabalhadas, há um grande risco de recaída.
Não há medicação específica indicada para anorexia. O uso de antidepressivos pode ser eficaz se houver persistência de sintomas de depressão após a recuperação do peso. O tratamento da anorexia costuma ser lento. A pessoa deve ficar em acompanhamento após recuperação e recebendo o apoio de amigos e familiares para não ocorrer reincididas, não abandonando o tratamento psicológico.

Boa alimentação contra o stress


Stress é frequentemente o culpado de maus hábitos alimentares. Num esforço de poupar tempo ou energia, muita gente recorre ao que está disponível como doces, frituras, bolos e biscoitos. Estes alimentos são tipicamente ricos em sal e açúcar e, quando ingeridos em excesso, conduzem a obesidade.

Infelizmente, o stress também pode atrapalhar a prolongamento de um regime de emagrecimento. Assim, os programas de perda de peso mais reputados incluem a modificação de comportamento como parte do primeiro plano. Quando se está sob stress, a melhor solução é escolher alimentos mais nutritivos.

Uma alimentação saudável a base de frutas, verduras, legumes e carnes brancas com pouco colesterol é uma boa forma de manutenção da saúde de forma geral, mantendo o organismo saudável, um sistema imunológico forte e um organismo com mais energia, diminuindo o desgaste que o stress causa.

Eliminar maus hábitos como o fumo ajuda, uma vez que o ato de fumar leva ao organismo inúmeras toxinas que afetam negativamente o sistema imunológico, deixando o organismo mais debilitado.

Busque uma alimentação saudável. Sob stress o corpo consome muito mais energia. Alem disso, procure consumir muita água, vitaminas e sais minerais.

Alimentos especificamente bons contra o stress como cenoura, tofu, chá de ginseng, atum, chocolate e feijão branco tem substancias que fazem bem para a saúde e são relaxantes. O chá de ginseng, por exemplo, melhora a resposta do organismo ao stress e reduz a sensação de ansiedade. Também ajuda a melhorar o estado de espírito e proporciona energia.

O chocolate, por ter alto teor de feniletilamina, melhora os níveis endorfínicos. O açúcar nele contido pode ajudar a melhorar o estado de humor. O neurotransmissor chamado noradrenalina nos dá a sensação de prazer e motivação. Este neurotransmissor se origina da dopamina e podemos encontrá-la no feijão branco.
Uma alimentação balanceada é muito importante para a saúde e para manter e aumentar a capacidade de enfrentamento do corpo ao stress. Mais um bom motivo para se nutrir bem.

Estratégias Psicológicas de Senso Comum na Vida Cotidiana

No dia a dia, as pessoas fazem interferências de assuntos psicológicos de forma negligente.
Os cientistas de comportamento "Richard Nisbett e Lee Ross (1980) revisaram a pesquisa sobre este tópico, definindo e ilustrando algumas estratégias comuns:

1 - Damos pouca importância a informações abstratas e estatísticas. Ficamos impressionados com alguns relatos vívidos, arrebatadores e concretos. Se um amigo contar sua experiência  traumática com um Volvo defeituoso, você poderá rapidamente esquecer todo histórico da Volvo. Se o jornal noticiar um desastre aéreo provavelmente ignoramos as estatísticas que sugerem ser o avião o meio de transporte mais seguro para viajar a qualquer lugar quase.
2 - Distorcemos dados para que se encaixem em nossos modelos  preexistentes, ainda que o encaixe fique meio desajeitado. Somos lentos para rever nossas idéias. Frequentemente ignoramos provas esmagadoras de que estamos enganados.
3 - Partindo de amostras pequenas e atópicas, fazemos generalizações  para populações inteiras. Temos idéias formadas sobre um feminista  típica , em esportista malhador, uma dona de casa, um homossexual ou um soldado vietcongue?  Qual o tamanho da amostra em que se baseiam suas idéias?
4 - Deixamos de ver revelações que de fato existem, talvez, em parte porque tendemos a nos agarrar a velhas idéias. Na verdade o exercício mantém as pessoas desperta.
5 - Confundimos correlação com causa. Mas não podemos admitir causa.

Cometemos todos esses erros na vida cotidiana , acreditam Nisbett e Ross, porque estamos sobre carregados de informações. Para usar os dados , precisamos simplificá-los de alguma forma. Porém, poucos de nós  têm treinamento em princípios científicos e instrumentos que auxiliem nessa tarefa. Se fôssemos melhores como cientistas, todos nós nos beneficiaríamos.

O método científico compensa plenamente  o trabalho.É hoje de longe, a maneira mais poderosa que conhecemos de acumular um conjunto acurado e preciso de informações internamente consistentes.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Método de tratamento - Psicanálise de Freud


Psicanálise é um método de tratamento psíquico e de investigação do inconsciente desenvolvido por Sigmund Freud (1856-1939). Freud iniciou seu trabalho usando o hipnotismo com o objetivo de fazer com que as pacientes reproduzissem as situações traumáticas que estavam na origem de seus sintomas.
Posteriormente, descobriu que os pacientes não precisavam ser hipnotizados e que a recordação por meio da sugestão, era um método mais eficaz para eliminar, alterar ou diminuir os sintomas.



   Mais tarde, Freud chegou ao método psicanalítico propriamente dito, e passou a orientar a seus pacientes que falassem sobre qualquer coisa que lhes viessem à mente, mesmo que pudesse parecer sem importância, sem relação com seus problemas, ou que fossem reprováveis. Esta é a "regra fundamental" da psicanálise, que é apresentada a cada paciente e com a qual todo paciente deve colaborar. Freud descobriu que todos esses pensamentos, lembranças, fantasias, tinham relação com os sintomas. Freud acreditou no valor das palavras e propôs aos pacientes a recordação e até mesmo a "construção" como método de tratamento psíquico. Descobriu que o sintoma tem um sentido, ou múltiplos sentidos que foram esquecidos pelo sujeito ou que nunca lhe foram conscientes. Para a psicanálise, os sintomas psíquicos são formas substitutivas de satisfação e estão relacionados à sexualidade infantil reprimida.



Técnica


   Freud desenvolveu a técnica de trabalho do analista com o divã (o paciente deita-se no divã para que possa se sentir mais à vontade para falar livremente e ficar distante dos estímulos, por exemplo, o olhar do analista ou suas expressões faciais eventuais que ocorrem durante a sessão).


   A sessão de análise dura 50 minutos, sendo que certas escolas de psicanálise criadas depois de Freud usam outros parâmetros para o tempo de duração da sessão. São aconselháveis algumas sessões por semana para facilitar o trabalho. Um tratamento psicanalítico não possui uma duração prevista e, geralmente, avança por alguns anos.



   O analista deve ouvir o paciente e manter a "atenção flutuante", interpretar a fala do paciente, suas atitudes na sessão, seus sonhos, quando necessário. O paciente realiza um trabalho de recordação, não só da origem dos sintomas, mas da sua própria história particular; e para isso ele deve falar.



Sintomas neuróticos



   A neurose, na teoria psicanalítica, é uma estratégia ineficaz para lidar com sucesso com algo, o que Sigmund Freud propôs ser causado por emoções de uma experiência passada causando um forte sentimento que dificulta reação ou interferindo na experiência presente. Por exemplo: alguém que foi atacado por um cachorro quando criança pode ter fobia ou um medo intenso de cachorros. Porém, ele reconheceu que algumas fobias são simbólicas e expressam um medo reprimido.

A Psicologia Animal e o Movimento em Defesa dos Animais


  A psicologia animal rapidamente tornou-se alvo dos ativistas de defesa dos animais. Protestos irrompiam contra o uso da vivissecção e de outras técnicas cirúrgicas para a coleta de dados de pesquisa, mesmo antes do desenvolvimento da psicologia animal como uma especialização separada da psicologia. As críticas iniciais eram direcionadas aos departamentos de fisiologia e biologia das principais universidades e escolas de medicina.
 

   O movimento de proteção aos animais teve início formalmente na Inglaterra, com a fundação da Society for the Prevention of Cruelty to Animals - SPCA (Sociedade de Prevenção da Crueldade Contra os Animais) em 1824. Uma organização semelhanta foi fundada nos Estados Unidos em 1886, a American Society for the Prevention of Cruelty to Animals - ASPCA (Sociedade Americana de Prevanção da Crueldade Contra os Animais). O crescente número de pesquisas realizadas, tanto para fins psicológicos como para fins médicos, serviu para aumentar o contingente de defensores dos direitos dos animais.
 
   Darwin foi alvo de acusações e contra-acusações realcionadas à crueldade com os animais. Embora se declarasse amante deles e contribuísse financeiramente com a SPCA, ele defendia a vivissecção como uma técnica científica. Alegava que a proibição do uso de animais nas pesquisas impediria o conhecimento do funcionamento fisiológico. Romanes e Thomas Henry Huxley apoiavam a posição de Darwin.


   William James aderiu à discussão, descrevendo a vivissecção como uma "tarefa dolorosa" mas essencial para o progresso da ciência. Entretanto criticou algumas experiências médicas com animais chamando-as de "excessos revoltantes"(apd Dewsbury 1990,p. 318). Pavlov, conhecido pela humanidade no tratamento dos seus cães de laboratório, acreditava ser inevitável o uso da vivissecção e de outros métodos cirúrgicos na pesquisa científica, porque às vezes eram as únicas de estudar o funcionamento fisiológico. Foi veentemente condenado pelos ativistas defensores dos animais por causa dessa visão.

TERAPIA


Psicóloga Maria Luiza Moura recebe prêmio de direitos humanos

Conselho Federal de Psicologia (CFP) celebra a premiação da psicóloga e ex-conselheira do CFP, Maria Luiza Moura, na 2ª Edição do Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos, na categoria Cidadania.  A premiação foi realizada no dia 18 de maio, na Câmara dos Deputados,  em Brasília.
Maria Luiza Moura – ou Malu Moura, como é mais conhecida – foi conselheira suplente do Conselho Federal de Psicologia na gestão 2005 a 2007 e representou o CFP no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH). No ano de 2008, Malu Moura foi presidente do Conanda.
O presidente do CFP, Humberto Verona, afirma que o CFP se sente muito orgulhoso pelo reconhecimento público de Malu Moura, por ser uma psicóloga atuante no campo dos Direitos Humanos e dos direitos das crianças e adolescentes brasileiros. “O prêmio é muito merecido pelo conjunto da obra que ela vem desenvolvendo, tanto na universidade quanto na política de direitos das crianças e adolescentes”, aponta Verona.

O Prêmio

Os escolhidos para receber o Prêmio Neide Castanha ganham reconhecimento nacional da sociedade civil por ações que merecem destaque especial, projetos ou atividades no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. Os principais critérios para avaliação são relevância da atuação e dedicação.

A 2ª Edição do Prêmio revelou também vencedores nas categorias ‘Boas Práticas’, ‘Produção de Conhecimento’ e ‘Protagonismo de Crianças e Adolescentes’

Parabenizamos a psicóloga Malu Moura pela premiação, um justo reconhecimento à sua dedicada atuação no campo dos direitos das crianças e adolescentes brasileiros!


Fonte: POL


II Seminário Nacional sobre o Sistema Prisional







Em parceria com DEPEN, o CFP realizou em 2005, o I Seminário Nacional sobre a Atuação do Psicólogo no Sistema Prisional, construído a partir de debates, reflexões e proposições realizadas em 16 Conselhos Regionais. Esses encontros tinham a finalidade de elaborar estratégias para desenvolverem ações em torno da atuação do psicólogo no Sistema; contribuir na construção das atribuições, competências e possibilidades de formação para o psicólogo, e subsidiar proposta de formação no Sistema Prisional, embasada em uma prática profissional voltada para integração social.
O CFP tem construído um debate crítico e reflexivo sobre as prisões pautado na premissa do compromisso social da Psicologia, no reposicionamento da prática do psicólogo no sistema prisional tendo em vista as políticas públicas e os Direitos Humanos. Esse debate tem como contexto as teses do V e VI CNP, que indicam a disposição da categoria em enfrentar o desafio de fazer a crítica da prisão e de suas práticas neste espaço. Essa disposição se expressa no desenvolvimento do projeto de apoio aos familiares e egressos do sistema penitenciário, por meio do BSS. Na produção do vídeo "De Dentro Para Fora", sobre as prisões, da série "Não é o que Parece", que discute a prisão como um dispositivo feito para produzir a segregação. N a realização da Campanha Nacional de Direitos Humanos, com o tema "O que foi feito para excluir não pode incluir", pedindo o fim da violência nas práticas de privação de liberdade, incluindo-se aí todas as formas de confinamento, com a finalidade de problematizar todas as práticas de privação de liberdade, como as prisões, mas também os abrigos, os asilos e as unidades de internação de crianças e jovens. Na realização da oficina: "Grades não são solução para a vida; queremos outra saída", no VI Fórum Social Mundial, com a finalidade de propor a criação de uma Frente Mundial contra os manicômios e as prisões e lançar o debate em torno do tema "O Fim Possível das Prisões: uma contribuição no campo da subjetividade".
A realização da 2ª. Edição do Seminário Nacional sobre a Atuação do Psicólogo no Sistema Prisional tem por objetivo debater o sistema prisional de forma ampliada. A proposta é resgatar fazeres e convocações históricas do sistema de justiça ao psicólogo que atua em prisões e avançar na discussão de contribuições da Psicologia na direção da produção de responsabilidade e subjetividade, propondo alternativas institucionais geradoras de responsabilização. Por meio de painéis e conferências propomos a ampliação do diálogo com movimentos sociais e a construção de parcerias nessa tarefa de pensar o fim possível das prisões, compreendendo que o modelo de privação de liberdade não faz avançar a cidadania, produz exclusão e propor discussão na direção de ações responsabilizadoras e não- vingativas. M uitos são os desafios colocados à Psicologia. Por isso estamos mais que convidando, estamos convocando os psicólogos a participarem, ampliando as possibilidades da prática profissional e se alinhando na crítica a esse modelo violento.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Neuróbica


Teste PMK não poderá ser mais usado em avaliação psicológica após veto do Conselho Federal de Psicologia


O Conselho Federal de Psicologia (CFP) em seu papel de autarquia responsável por orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de psicólogo no país, garantir a qualidade técnica dos serviços e produtos oferecidos pela categoria de psicólogos e mediar as relações da profissão com a sociedade, conforme prevê a Lei 5.766/71, vem a público esclarecer os motivos pelos quais o teste Psicodiagnóstico Miocinético – PMK está com parecer desfavorável para uso profissional por psicólogos.

Devido à necessidade de aprimoramento e melhoria na qualidade dos testes psicológicos, o CFP editou a Resolução CFP Nº 025/2001 e, posteriormente, a Resolução CFP Nº 002/2003, para regulamentar o uso, a elaboração e a comercialização de testes psicológicos, instituindo a análise desses instrumentos utilizados pelos profissionais da área.

Desde então, vários testes psicológicos foram avaliados pela Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, por pareceristas de notório saber na área de Avaliação Psicológica que são convidados para analisarem e emitirem parecer sobre os testes encaminhados ao CFP, e pelo Plenário do CFP, conforme determina o artigo 8° da Resolução CFP n° 002/2003.

A partir disso, o teste psicológico PMK (PSICODIAGNÓSTICO MIOCINÉTICO) – 2001, da Editora Vetor foi julgado favorável para uso profissional das(o) psicólogas(o) a partir de 2003.

Já em 2009, o CFP recebeu, para análise, o material PMK – Psicodiagnóstico Miocinético: Novos Estudos 2009, que seguiu toda a tramitação prevista na Resolução CFP nº 002/2002 e foi considerado desfavorável.

O parecer favorável do teste Psicodiagnóstico Miocinético - PMK (2001) baseou-se na premissa de que aquele manual continha informações mínimas, consideradas suficientes que consubstanciaram o parecer. Entretanto, os estudos realizados durante o período que decorreu entre a aprovação inicial e o manual PMK – Psicodiagnóstico Miocinético: Novos Estudos 2009 ora apresentado, revelaram claramente as falhas em aspectos centrais do PMK. Mais especialmente, a realização dos novos estudos permitiu concluir que a proposta de interpretação das variáveis apresenta problemas relevantes.

Em razão da existência de mais informações que consubstanciam evidências insuficientes de validade e precisão, a Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica (CCAP), referendada pelo XV Plenário do CFP, concluiu que o PMK – Psicodiagnóstico Miocinético: Novos Estudos 2009 não atende aos requisitos mínimos obrigatórios, o que norteou a recomendação do instrumento como desfavorável para uso do psicólogo. Dentre os argumentos, destacam-se:

1. A fundamentação teórica é insuficiente e não permite compreender o que subsidia cientificamente a operacionalização das seis dimensões de personalidade por meio dos comportamentos psicomotores, de modo que não está clara a relação entre o pensamento e as emoções e os movimentos musculares;
2. Problemas foram identificados nos estudos de validade, de tal modo que não é possível afirmar que o teste mede de fato aquilo que se propõe a avaliar;
3. Os estudos de precisão foram considerados insuficientes.

Cabe esclarecer que o material “PMK: Novos Estudos 2009” trata de estudos de revisão para o manual do PMK (2001) aprovado anteriormente, e que o Art. 14, § 2o da Resolução CFP n° 002/2003 estabelece que os estudos de revisão devem concluir:

“I - se houve alteração na validade dos instrumentos requerendo mudanças substanciais no mesmo;
II - se houve alteração nos dados empíricos requerendo revisões menores ligadas às interpretações dos escores ou indicadores como, por exemplo, alterações de expectativas normativas, ou 
III - se não houve mudanças substanciais e os dados antigos continuam sendo aplicáveis”.

Como o resultado da avaliação da CCAP e do XV Plenário do CFP referente ao material “PMK: Novos Estudos 2009” levou a conclusão “I”, isto é, que as informações empíricas apresentadas indicam a necessidade de alterações substanciais no instrumento, o CFP deve aplicar o regulamento do § 3o do Art. 14 da Resolução CFP n° 002/2003:

§ 3o - Caso haja necessidade de mudança substancial no instrumento, a versão antiga não poderá ser utilizada pelos psicólogos até que se estabeleçam as propriedades mínimas definidas nesta Resolução.

Por isso, o PMK – Psicodiagnóstico Miocinético (2001) passa a ser “desfavorável”, o que implica suspensão do uso profissional desse teste por psicólogos a partir do dia 10 de maio de 2012. As aplicações do teste PMK realizadas até o dia 9 de maio de 2012 e laudos e relatórios decorrentes delas permanecem válidos.

O Conselho Federal de Psicologia entende a avaliação psicológica como o processo técnico-científico de coleta de dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenômenos psicológicos, que são resultantes da relação do indivíduo com a sociedade, utilizando-se, para tanto, de estratégias psicológicas – métodos, técnicas e instrumentos. Os resultados das avaliações devem considerar e analisar os condicionantes históricos e sociais e seus efeitos no psiquismo desde a formulação da demanda até a conclusão do processo de avaliação psicológica (Referência: Resolução CFP nº 007/2009).

Assim, compete ao psicólogo planejar e realizar o processo avaliativo com base em aspectos técnicos e teóricos, mais adequado a cada propósito, conforme previsão das Resoluções CFP n° 02/2003 e 003/2007.

A escolha do número de sessões para a sua realização, das questões a serem respondidas, bem como de quais instrumentos/técnicas de avaliação devem ser utilizados será baseada nos seguintes elementos:

a) contexto no qual a avaliação psicológica se insere;
b) propósitos da avaliação psicológica;
c) construtos psicológicos a serem investigados;
d) adequação das características dos instrumentos/técnicas aos indivíduos avaliados;
e) condições técnicas, metodológicas e operacionais do instrumento de avaliação.

O teste Psicodiagnóstico Miocinético - PMK é um dentre vários testes psicológicos usados no processo de avaliação psicológica. Nesse sentido, as(o) psicólogas (o) poderão escolher outros testes disponíveis no Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos - SATEPSI (www.cfp.org.br), para avaliar os construtos de personalidade que eram objeto de investigação do PMK.

Ademais, cabe ressaltar que novas revisões de testes psicológicos podem ser encaminhadas ao Conselho Federal de Psicologia a qualquer tempo, conforme dispõe o artigo 7º da Resolução CFP n° 002/2003.

Por isso, uma nova versão, intitulada “Psicodiagnóstico Miocinético – PMK, 2012” já está em análise pelo Conselho Federal de Psicologia que verificará se estes novos estudos atendem aos critérios mínimos obrigatórios estabelecidos na Resolução CFP n° 02/2003. Em caso positivo, o teste voltará à condição de favorável ao uso profissional por psicólogas(o).

O Conselho Federal de Psicologia – CFP espera que os esclarecimentos acima contribuam para o exercício da avaliação psicológica em todos os campos de atuação de profissão resguardando a qualidade e o compromisso social e ético dela com a sociedade.


domingo, 13 de maio de 2012

Ser psicólogo ou estar psicólogo?

Porque ser psicólogo essa é a pergunta que faço. Ser psicólogo, acredito, é estar plenamente vivendo a psicologia como um todo sem se preocupar apenas com ganhos financeiros mas envolvido com o principal "produto" o ser humano. Essa complexa e magnifica espécie que somos nós, com todos os problemas existentes, porque ao meu ver, não descobriu seu potencial devido a varias situações que os influenciam, são depressivos, tem vários transtornos, são psicoticos, tem doenças das quais muitas psicológicas enfim tudo atrapalha. Até pessoas ditas normais tem seus problemas de alguma forma sem o perceberem, eu fiquei pensando, devido alguns exemplos que foi dado em aula que realmente esta profissão é o que eu realmente procurava e que estou no caminho certo dentro de minha forma de pensar em exerce-la em conjunto com alguns colegas que eu já percebo que também trilham por esse caminho, estamos dentre outras coisas buscando a colaborar com um mundo melhor para nós e para os outros. Há casos que como comentado, existem profissionais que estão psicólogos, que não ligam para o outro e sim para eles, ou seja estão psicólogos, para pagar seus carros seus apartamentos, para ter um titulo ou status na sociedade, o pior é que eu já identifico em colegas de classe nesse perfil, pois em um trabalho em grupo sugeri uma pergunta para uma eventual pesquisa," o que havia mudado em sua vida a partir do inicio do curso até o momento nesses poucos meses de convivio com a profissão", e alguns responderam que "nada". E ai eu pergunto, porque. E recordando nesse primeiro semestre, raro ver totalmente em sala de aula,  mas ali estão para o segundo semestre. Seria fácil chegar na aula apenas de corpo presente e no dia de prova estudar para ser aprovado, mas o meu interesse é maior eu quero aprender eu quero viver e vivendo entenderei melhor e assim "serei", e não "estarei" psicólogo.

Dalila Lacerda

O bullying é uma ameaça que se manifesta a partir de brincadeiras sem graça



"Tudo que é diferente é visto com olho torto. Apesar de ainda estar no começo da minha pesquisa já ouvi muitos relatos pesados, de coisas inacreditáveis. As pessoas realmente ficam marcadas com as agressões físicas e psicológicas e muitas não conseguem superar. É impressionante o que a falta de respeito mútuo em uma escola pode causar. Eu mesma sofri com isso, mas hoje luto para que não aconteça com outras pessoas", conta a professora Maria Dolores Alves.
A educadora trabalha em sua tese de doutorado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo e realiza uma pesquisa inédita no Brasil sobre bullying. Em seu trabalho acadêmico, Maria Dolores quer investigar como essa prática afeta os estudantes com deficiência e descobrir como acabar com esse tipo de comportamento nas escolas. Iniciada em abril, a pesquisa já reuniu relatos de mais de 50 pessoas por meio da internet e espera recolher muito mais, pois sabe que quem é diferente corre riscos de ser hostilizado no ambiente escolar. Mas o que diferencia uma simples brincadeira ou desavença entre jovens do implacável bullying?
Motivos
Segundo a professora e pesquisadora Cleodelice Fante, o fenômeno não é novidade nas salas de aula, entretanto começou a ser mais discutido após eventos ocorridos no exterior. Casos de suicídios e de atiradores que assassinaram colegas trouxeram à tona os dramas de estudantes excluídos. A própria palavra é uma expressão da língua inglesa, que serve para classificar perseguições e violência entre alunos. Ela não tem uma tradução específica, porque muitas situações podem ser classificadas como bullying. Mas Cleodelice, que também é autora do livro "Fenômeno bullying", explica que existem algumas formas para caracterizá-lo. "O mais importante é que ele é uma forma de violência moral ou física entre pares, sem provocação, em que o agressor tem a intenção de causar dano. Outro fato observado é que existe um grande desequilíbrio de poder: um grupo ou indivíduo mais forte agride um mais fraco", explica a professora.

Alvos
Como não há provocação, o fenômeno também é muito difícil de ser explicado. Afinal, o que leva uma criança a ser cruel com outra? Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), em 2002, envolvendo 5.875 estudantes de 5ª a 8ª séries, de onze escolas do município do Rio de Janeiro, revelou que 40,5% desses alunos admitiram ter estado diretamente envolvidos em atos de bullying. Mais de 16% foram alvos das ações dos colegas, 12% foram autores e 10,9% sofreram e praticaram agressões.
Quando perguntado aos autores do bullying, por que eles faziam isso, a resposta mais dada foi que a ação "era engraçada", seguido de "fariam o mesmo comigo". Outra pesquisa, realizada em 2008 pela Universidade Católica de Brasília (UCB) com 202 alunos da 7ª e 8ª séries do ensino fundamental, de duas escolas públicas de Ceilândia (DF), descobriu que 16% dos agressores faziam porque "a vítima é diferente dos outros". A análise também revelou que as crianças não contam sobre as violências sofridas para professores e familiares.
"O fenômeno reflete nossa sociedade. Tem um conjunto de causas que podem derivar do modelo e dos valores da escola, de uma família permissiva e da reprodução da mídia. São modelos aprendidos. As pessoas com deficiência são um grupo de risco, por serem mais vulneráveis ou, em caso de atraso mental, por não entenderem o que está acontecendo", diz a professora.

Segundo Maria Dolores, os alunos com deficiência podem também sofrer violência física, o que ocorre principalmente com pessoas com atraso intelectual. "O bullying traz sofrimento para a vítima e acontece em todos os níveis. A intervenção de um adulto é necessária porque muitas vezes a violência pode levar a pessoa à depressão e até ao suicído".
Reconhecer o perigo
Os pais devem ficar atentos aos sintomas para descobrir se o filho está sendo vítima do bullying. De acordo com as professoras, a criança pode manifestar mudanças de comportamento, problemas físicos e queda no rendimento escolar. "O importante é estabelecer um diálogo. Se perceber que seu filho está sendo agredido, vá até a escola, exponha a situação, e exija que a instituição tome uma providência. O pior jeito de lidar com situação é ignorando-a", confirma Cleodelice Fante.

Preocupado com o assunto, o Ministério Público de Santa Catarina criou em janeiro de 2009 um programa de combate ao bullying no Estado. A ideia é impedir agressões nos colégios e promover palestras para conscientizar as escolas. Em casos graves, o órgão governamental recomenda levar o fato até o Conselho Tutelar da cidade e em último caso até a uma delegacia.
Infelizmente, o bullying ainda é uma realidade, como foi o caso de um colégio estadual no bairro de Itaquera, zona leste de São Paulo. Em 2006, Daniela Chalegre, mãe de Pedro Roberto, um menino autista com 12 anos, foi matriculado nessa escola, que o recebeu pela pura obrigação de inserir um aluno com deficiência. Aceitar a matrícula não significa incluí-lo, tanto que o garoto sofreu bullying por parte dos colegas de sala e da professora. "Foi nessa escola que encontrei todas as dificuldades possíveis para o meu filho", afirma.
 De acordo com Daniela, no segundo dia de aula, Pedro chegou em casa com hematomas pela perna. No terceiro dia, a diretoria da escola a chamou para uma conversa. Quando Daniela entrou no prédio, e passou pelo pátio, se deparou com uma cena deplorável: seu filho estava sendo esmurrado por 6 crianças e não havia nenhum funcionário por perto. Ao conversar com a professora, teve outra situação desagradável, a docente disse que não era de acordo que Pedro estudasse com alunos "normais" e que a tese de sua monografia de pós-graduação era justamente contra a matrícula de alunos com deficiência em escolas regulares. Para completar, a diretora disse a mãe que não via a hora de Daniela tirar o filho daquela escola. "Eu conversei com todos os responsáveis, mas nada foi feito. Eu e meu marido sentimos na pele o que é ficar desamparado pela lei", diz Daniela.
No entanto, existem bons exemplos e informações que evitam situações desagradáveis como essas. Foi o caso da escola Dom José Ferreira Alvares, de Bragança Paulista, no interior de São Paulo. "Tivemos o problema na escola há três anos, quando recebemos uma grande transferência de alunos. Nós temos muitos estudantes com deficiência e nunca houve problemas, mas vimos que algo estava errado. As crianças se olhavam tortas e havia uma clara divisão entre elas. Desde o pessoal da limpeza até a diretoria, sentia que se não fizéssemos algo, alguma coisa mais grave poderia acontecer", diz a professora de educação física do Instituto Social Educacional, Magali Lima.
Antes da situação piorar, ela realizou uma ação de sensibilização com os alunos novos. "Nós os vendamos para que sentissem as dificuldades que uma pessoa com deficiência sente. Eles sentiram na pele os obstáculos, e tiveram uma incrível melhora. A conversa foi muito importante, pois assim mostramos que um acidente ocasional poderia transformá-los em uma pessoa com mobilidades reduzidas", explica a professora.
A escola também tem como objetivo manter a convivência entre os alunos e não segregá-los. "Nossos alunos com deficiência participam de tudo o que os outros jovens fazem. Também os incentivamos a ajudar os colegas, para serem mais sensíveis às suas necessidades. Tudo que é novo dá medo, mas com o tempo as crianças superam", conclui a educadora.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Relevância Clínica do Lítio Contra o Alzheimer

Agência FAPESP – Estudos realizados na Universidade de São Paulo (USP) reforçaram as evidências de que o lítio, amplamente utilizado no tratamento de transtorno bipolar, pode ter um efeito protetor contra o aparecimento da doença de Alzheimer.
A pesquisa, que teve seus resultados publicados em 2011 na revista British Journal of Psychiatry , foi conduzido por Orestes Forlenza, do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria (Ipq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Forlenza apresentou os resultados em São Paulo durante o Brazil-Canada Prion Science Workshop 2012, realizado em março pelo Hospital A.C. Camargo.
O trabalho é resultado do Projeto Temático Neurobiologia da doença de Alzheimer: marcadores de risco, prognóstico e resposta terapêutica, iniciado em 2010 e financiado pela FAPESP e coordenado por Wagner Gattaz, também do IPq.
De acordo com Forlenza, o experimento foi realizado com idosos com comprometimento cognitivo leve. Os resultados demonstram a relevância clínica da aplicação de baixas doses de lítio em pacientes que ainda não atingiram a fase demencial da doença de eimer, reforçando a hipótese de que o medicamento possa ser utilizado na prevenção do problema.
Os pacientes que receberam lítio não apenas ficaram mais estáveis clinicamente, do ponto de vista funcional e cognitivo, como tiveram menos deterioração de memória e de funções cognitivas“, disse Forlenza à Agência FAPESP.
Além disso, o experimento revelou uma evidência de modificação de um dos processos patogênicos centrais da doença de Alzheimer, que é a hiperfosforilação da proteína TAU, um processo que destrói o esqueleto das células, levando à morte dos neurônios. O lítio inibe a atividade da enzima GSK 3-Beta, que fosforila a TAU.
O conjunto desses resultados mostra que possivelmente o lítio produz um efeito modificador da doença. Além da hipótese inicial, que era a inibição da enzima GSK 3-Beta, olhamos outros possíveis participantes desse efeito“, disse Forlenza.
Os estudos mostraram que há um aumento de fator neurotrófico derivado cerebral (BDNF), da função mitocondrial e da atividade de outras enzimas. “Tudo isso alinha em torno de um mecanismo múltiplo de modificação de vários processos patogênicos“, disse o pesquisador.

Tempo de seguimento

Há muitos anos a ciência acumula evidencias biológicas, experimentais – em modelos animais, em culturas de células, ou extrapolações por métodos de neuroimagem – de que o lítio poderia exercer ações neurotróficas ou neuroprotetoras. Mas até recentemente não havia nenhuma comprovação de que isso tivesse algum significado clínico ou benefício humano.
Essa comprovação começou a se realizar quando publicamos, em 2007, um trabalho demonstrando que, quando ficam mais velhos, indivíduos que têm doença bipolar – e que portanto recebem lítio clinicamente por vários anos – têm uma menor taxa de demência que os indivíduos bipolares que foram tratados com outras terapias“, disse Forlenza.
Com base nessas constatações clínicas experimentais, o grupo da USP lançou um estudo randomizado para, de maneira bem controlada, avaliar o efeito neuroprotetor do lítio em indivíduos em risco de ter doença de Alzheimer. O modelo escolhido para essa finalidade foram os indivíduos com comprometimento cognitivo leve.
Tínhamos como base dois trabalhos que foram publicados – um na Inglaterra, outro na Alemanha – usando lítio para tratar indivíduos com a doença de Alzheimer já em fase demencial“, explicou Forlenza.
O estudo britânico fracassou, segundo ele, porque os pacientes não toleraram o tratamento. As doses de lítio eram mais altas, houve uma alta taxa de abandono, impossibilitando que se chegassem a conclusões. O outro estudo multicêntrico europeu, feito na Alemanha, fez um ensaio com lítio em doença de Alzheimer leve por dez semanas. Também fracassou, porque não encontrou mudança nenhuma dos parâmetros clínicos e biológicos.
Com base nessas informações, alinhamos então o nosso projeto para tratar não indivíduos com doença de Alzheimer já em fase demencial, mas em uma fase anterior a isso. Outro diferencial da nossa abordagem é que utilizamos o lítio em doses menores que as utilizadas clinicamente. Mostramos que essas doses são suficientes para inibir a atividade de uma enzima que imaginamos que esteja ligada ao processo“, disse Forlenza.
Outra diferença crucial em relação aos estudos antigos, segundo Forlenza, foi o tempo de seguimento. “Realizamos um seguimento de quatro anos, com desdobramentos em 12, 24 e 36 meses. Na amostra total foram incluídos 61 pacientes. Uma taxa menor chegou ao fim dos quatro anos, mas no primeiro ano tivemos 91% de permanência no estudo“, disse.
O Projeto Temático será concluído em 2014. Até lá, os pesquisadores seguirão com a linha de estudos envolvendo a aplicação de lítio como antagonista da doença de Alzheimer. Os cientistas voltarão o foco a partir de agora a parâmetros como neuroimagem funcional com tomografia de emissão de pósitrons (PET) e com neuroimagem estrutural, para comparar os dois grupos de pacientes e observar outros desfechos.
Várias análises ainda precisam ser feitas, ou completadas, com variações de biomarcadores e de tempos de seguimento, por exemplo. Queremos também iniciar um estudo semelhante, não mais em pacientes com comprometimento cognitivo leve, mas em pacientes com doença de Alzheimer familiar de início precoce, que talvez seja o modelo ideal para se testar essa modificação de patogenia“, disse Forlenza.

Psicólogo fala sobre os desafios da mulher mãe no século XXI


Esposa, dona de casa, mãe, profissional. Como ter tempo e habilidade para se dividir entre tantas tarefas?

Desafio que somente as mulheres podem decifrar. Mas, para elas, a maior dificuldade ainda está na hora de dar tchau para o filho e sair para trabalhar.A mulher contemporânea deixou de ser simplesmente a dona de casa e passou a exercer também papel de provedora. O psicólogo Leônio Tomaz fala sobre essa nova versão feminina: “O homem vê a casa como lugar de repouso e a mulher tem como uma espécie de segundo emprego e, às vezes, até mais temeroso. Ela passa o dia inteiro no trabalho e ainda vai cuidar de outros a fazeres, verificar se o filho comeu, cuidar da cozinha, entre tantas outras coisas. E a mulher começou a acumular funções, com isso chega a um nível de cansaço extremo”.
Leônio explica que ao realizar atividades fora de casa, a mulher cria um sentimento de culpa por não ter tempo integral para cuidar do filho, o que ele chama de “desafio da mulher mãe”, e comenta: “Parece que esse ponto de ser mãe é um ponto fundamental para a realização da mulher. Parece que a maternidade grita por socorro, pra que esse sonho seja realizado”.
Mas o perigo maior está quando essa culpa começa a interferir na qualidade educacional. Muitas mães, em nome dessa culpa, têm deixado de educar os seus filhos.
“Ela não se sente no direito de exercer autoridade de mãe e passa a realizar somente as vontades do filho. Pois tem pouco tempo para passar com a criança e não quer brigar, mas proporcionar apenas momentos de alegria. E aí, começa a ignorar algumas coisas errada e a abrir mão de corrigir o filho, porque já se sente culpada”, alertou.
As consequências da falta de limites são identificadas logo no início do período escolar e Leônio Tomaz aconselha mais cuidado, afinal o filhos se constroem adultos, observando os pais.
“Quando ela for ter contato com outras crianças e até professores na escola, vai ficar muito mais difícil para a criança. As mães super protetoras geram filhos inseguros e instáveis, porque está sempre protegendo de tudo e ao mesmo tempo, nunca está errado. Só que num certo ponto, a mãe protege tanto o filho que ele não aprende a se proteger”, explicou.
Leônio Tomaz informa às mães que essa culpa não é necessária e que é possível amar e corrigir. “Minha sugestão é que essa mulher confie e direcione esse amor. E que traga segurança ao lar que vive e não tenha medo de dizer não, porque ao contrário do que muitos pensam, o ‘não’ traz segurança”, orientou.

Carta de uma mãe para sua filha


....♥ CARTA DE UMA MÃE PARA SUA FILHA ♥....

Minha querida menina, no dia que você perceber que estou envelhecendo,
eu peço a você para ser paciente, mas acima de tudo, tentar entender pelo o
que estarei passando.
...
Se quando conversarmos, eu repetir a mesma coisa dezenas de vezes, não me interrompa dizendo: “Você disse a mesma coisa um minuto atrás”. Apenas ouça,
por favor. Tente se lembrar das vezes quando você era uma criança e eu li a
mesma história noite após noite até você dormir.

Quando eu não quiser tomar banho, não se zangue e não me encabule.
Lembra de quando você era criança eu tinha que correr atrás de você dando desculpas e tentando colocar você no banho?

Quando você perceber que tenho dificuldades com novas tecnologias, me dê
tempo para aprender e não me olhe daquele jeito...lembre-se, querida, de como
eu pacientemente ensinei a você muitas coisas, como comer direito, vestir-se, arrumar seu cabelo e lhe dar com os problemas da vida todos os dias...o dia que você ver que estou envelhecendo, eu lhe peço para ser paciente, mas acima de
tudo, tentar entender pelo o que estarei passando.

Se eu ocasionalmente me perder em uma conversa, dê-me tempo para lembrar
e se eu não conseguir, não fique nervosa, impaciente ou arrogante.
Apenas lembre-se, em seu coração, que a coisa mais importante para mim é
estar com você.

E quando eu envelhecer e minhas pernas não me permitirem andar tão rápido
quanto antes, me dê sua mão da mesma maneira que eu lhe ofereci a minha em seus primeiros passos.

Quando este dia chegar, não se sinta triste. Apenas fique comigo e me entenda, enquanto termino minha vida com amor. Eu vou adorar e agradecer pelo tempo
e alegria que compartilhamos. Com um sorriso e o imenso amor que sempre tive
por você, eu apenas quero dizer, "eu te amo minha querida filha”.

(Fonte: Spring in the Air)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

CHICO BUARQUE & MILTON NASCIMENTO - O QUE SERÁ (1976)




A pulsão “não tem dia nem noite, não tem primavera nem outono, ela não tem subida nem descida. É uma força constante” Jacques Lacan

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Lenhador e a Raposa




Não devemos ser precipitados, temos que ser prudentes, meditar antes de tomar alguma atitude. O arrependimento só chega atrasado! as vezes quando percebemos a tolice que fizemos, já é tarde. 


Dalila Lacerda